Onde investir com a Selic a 13,75%: poupança, Tesouro Selic, CDB e LCI comparados

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Atualizado em: 21 de setembro de 2026

Atualização. Este guia foi publicado em 11 de setembro, quando a Selic estava em 14% ao ano. No dia 16 de setembro o Copom cortou a taxa para 13,75%, e todos os números abaixo foram refeitos com as taxas em vigor.


A Selic está em 13,75% ao ano. Para quem tem dinheiro guardado, a conta continua valendo a pena: a renda fixa segue pagando bem, e a diferença entre deixar o dinheiro na poupança ou colocá-lo em um título simples passa de 5 pontos percentuais ao ano. Este guia mostra, com números, quanto rende cada opção — e o que você precisa saber antes de escolher.

Onde estamos: Selic a 13,75%

O Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano na reunião de 16 de setembro de 2026. Foi o quinto corte seguido de 0,25 ponto, num ciclo de queda que começou em março — a taxa saiu de 15% e chegou, agora em setembro, ao patamar que o mercado projetava só para o fim do ano.

O comunicado manteve o tom cauteloso: o comitê seguiu classificando os riscos de inflação como “maiores que o usual, com assimetria de alta”, e não sinalizou o fim dos cortes. A próxima decisão sai em 4 de novembro.

O que isso significa na prática: a taxa continua alta. Mesmo depois de cinco cortes, 13,75% ao ano é um patamar em que a renda fixa simples — sem risco de bolsa, sem complicação — entrega um retorno real relevante. Não é preciso correr risco para ganhar dinheiro.

Quanto rende cada opção, na prática

A tabela abaixo simula R$ 1.000 aplicados por 12 meses, com as taxas de hoje. O CDI, que é a referência dos CDBs, caiu para 13,65% ao ano depois da decisão do Copom.

Onde Rende (ao ano) Imposto de Renda Você fica com
Poupança 6,17% + TR Isenta R$ 1.061,68
CDB 100% do CDI 13,65% 17,5% R$ 1.112,61
Tesouro Selic 13,75% 17,5% R$ 1.113,44
LCI ou LCA 90% do CDI 12,29% Isenta R$ 1.122,85
CDB 110% do CDI 15,02% 17,5% R$ 1.123,87

Simulação feita com a Selic a 13,75% e o CDI a 13,65%, considerando 12 meses corridos e a alíquota de 17,5% de IR. As taxas mudam ao longo do tempo, então os valores são uma referência, não uma promessa.

Repare no que a tabela mostra: a poupança fica em último lugar por uma distância grande. A diferença entre ela e um CDB de 110% do CDI é de R$ 62,19 em um ano para cada R$ 1.000 — ou seja, para cada R$ 10.000, são R$ 622 deixados na mesa.

O corte da Selic mexeu com a poupança?

Não. E essa é justamente a questão.

Existe uma regra fixa: quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR — e ponto final. Ela não acompanha nem a alta nem a queda dos juros enquanto a taxa estiver nesse patamar.

Isso dá cerca de 6,17% ao ano (mais a TR, que costuma ser pequena). Com a Selic a 13,75%, a poupança entrega menos da metade do que um título público simples paga. O rendimento dela só volta a acompanhar os juros quando a Selic cai abaixo de 8,5%, e aí passa a ser 70% da Selic mais a TR.

A poupança tem duas vantagens reais: é isenta de imposto e o dinheiro sai na hora. Mas há aplicações que também têm liquidez diária, também são seguras e pagam quase o dobro.

Tesouro Selic: o mais simples para começar

O Tesouro Selic é um título público que acompanha a taxa básica — quando ela cai, o rendimento cai junto, e quando sobe, sobe junto. Ele tem três características que o tornam a porta de entrada mais indicada para quem nunca investiu:

  • Liquidez diária — você pode resgatar qualquer dia útil e o dinheiro cai em conta no mesmo dia.
  • Não perde valor no resgate antecipado — diferente do Tesouro Prefixado e do IPCA+, que oscilam. Se você tirar o dinheiro antes do vencimento, recebe o que rendeu até ali.
  • Risco soberano — quem paga é o Tesouro Nacional. É o menor risco de crédito que existe no país.

Sobre custos: a B3 cobra 0,20% ao ano de taxa de custódia, mas o Tesouro Selic é isento dessa taxa até R$ 10.000 por CPF. Acima disso, a cobrança incide só sobre o que passar. Na prática, quem está montando a primeira reserva não paga nada de custódia.

CDB: rende mais, mas olhe o prazo

O CDB é um empréstimo que você faz a um banco. Em troca, ele devolve o dinheiro corrigido por um percentual do CDI. Bancos grandes costumam pagar perto de 100% do CDI; bancos menores pagam mais, porque precisam atrair dinheiro.

Dois cuidados importantes:

1. Liquidez. Nem todo CDB deixa você sacar quando quiser. Os que pagam mais costumam ter carência — o dinheiro só sai no vencimento. Para a reserva de emergência, procure CDB com liquidez diária, mesmo que pague um pouco menos.

2. O CDB de 130% do CDI está sumindo. Desde 1º de junho de 2026, valem regras novas do Conselho Monetário Nacional que encarecem para os bancos mais arriscados a captação com garantia do FGC. A contribuição extra desses bancos dobrou, e o gatilho da cobrança foi antecipado. O efeito esperado é justamente reduzir a oferta de CDBs com rendimentos muito altos — o teto de mercado tende a se acomodar entre 115% e 120% do CDI. Se você vir uma oferta muito acima disso, vale olhar com calma quem é o emissor.

O FGC, e por que R$ 250 mil é o número que importa

O Fundo Garantidor de Créditos cobre R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Esses limites não mudaram em 2026 — o que mudou foram as regras de contribuição dos bancos, explicadas acima.

O que o FGC cobre: CDB, LCI, LCA, poupança, letras de câmbio, depósitos à vista e conta-salário. O que ele não cobre: fundos de investimento, ações, debêntures e o próprio Tesouro Direto — este último não precisa, porque quem garante é o governo federal.

Regra prática: se você tem mais de R$ 250 mil em renda fixa bancária, divida entre instituições diferentes. Não é paranoia — é o uso correto da proteção que existe.

LCI e LCA: isentas, mas o dinheiro fica preso

LCI e LCA são isentas de Imposto de Renda para pessoa física. Por isso, mesmo pagando um percentual menor do CDI, elas podem render mais no líquido — como a tabela mostra.

O porém é a carência. Desde a mudança do CMN de 2024, esses papéis têm prazo mínimo de resgate, hoje na faixa de 9 a 12 meses conforme o tipo do papel. Durante esse período o dinheiro fica completamente inacessível — não dá para sacar nem pagando multa. Confira o prazo exato no papel que você está comprando antes de aplicar.

Conclusão simples: LCI e LCA são boas para um objetivo com data marcada. Não servem para reserva de emergência.

O imposto: a tabela regressiva continua valendo

Houve muita notícia sobre uma alíquota única de 17,5% para a renda fixa. Ela não entrou em vigor: a Medida Provisória 1.303/2025 foi rejeitada pela Câmara dos Deputados em outubro de 2025 e caducou. Continua valendo a tabela regressiva de sempre:

Tempo aplicado Alíquota de IR
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

O imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor que você aplicou, e é descontado automaticamente no resgate. A lição prática é direta: quanto mais tempo o dinheiro fica, menos imposto você paga. Passar de 2 anos derruba a alíquota de 22,5% para 15%.

A ordem que faz sentido para quem está começando

Passo 1 — Quite as dívidas caras primeiro. Não existe investimento em renda fixa que ganhe do rotativo do cartão de crédito ou do cheque especial. Se você tem uma dívida dessas, pagá-la rende mais do que qualquer aplicação. Veja o que o corte da Selic muda — e o que não muda — nas suas dívidas, e vale entender bem como funcionam as modalidades de cartão.

Passo 2 — Monte a reserva de emergência. De três a seis meses das suas despesas, em algo com liquidez diária: Tesouro Selic ou CDB com resgate a qualquer momento. Essa parte não é para render muito — é para estar disponível quando der problema.

Passo 3 — Só depois pense em prazo e em risco. Com a reserva pronta, aí sim faz sentido olhar LCI, LCA, CDB mais longo ou títulos atrelados à inflação.

Perguntas frequentes

Qual é a Selic hoje?

13,75% ao ano, definida pelo Copom na reunião de 16 de setembro de 2026. A próxima decisão sai em 4 de novembro de 2026.

Quanto rende a poupança em 2026?

Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR — cerca de 6,17% ao ano. O corte da Selic não alterou esse rendimento.

Tesouro Selic ou poupança: qual rende mais?

O Tesouro Selic. Mesmo descontado o Imposto de Renda, ele entrega cerca de 11,34% ao ano contra 6,17% da poupança, com a mesma liquidez diária.

Qual o melhor investimento para reserva de emergência?

Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. O critério aqui não é o maior rendimento, e sim poder sacar em qualquer dia útil sem perder dinheiro.

Quanto o FGC garante?

R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira, limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos. Esses valores não mudaram em 2026.

LCI e LCA são isentas de Imposto de Renda?

Sim, para pessoa física. Mas o rendimento precisa ser informado na declaração anual, e os papéis têm carência mínima — hoje de 9 a 12 meses, conforme o tipo.

A alíquota única de 17,5% de IR entrou em vigor?

Não. A MP 1.303/2025 foi rejeitada pela Câmara em outubro de 2025. Continua valendo a tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o prazo.

Preciso de muito dinheiro para começar?

Não. O Tesouro Selic é comprado em frações e pode ser adquirido com cerca de R$ 30 a R$ 40. Vários CDBs aceitam aplicações a partir de R$ 100.

Tesouro Direto tem taxa?

A B3 cobra 0,20% ao ano de custódia, mas o Tesouro Selic é isento dessa taxa até R$ 10 mil por CPF. Acima disso, a cobrança incide apenas sobre o excedente.

Este texto tem caráter informativo e não é recomendação de investimento. As taxas citadas são as vigentes em 21 de setembro de 2026 e mudam ao longo do tempo — confira os números atualizados antes de aplicar.

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